Quem nos subscreve

Jorge Mourinha (jornal Público): Esta insistência cívica de um grupo de pessoas que vêem algo de errado na política cultural da televisão e acham que vale a pena continuar a pugnar pelo seu objectivo explica muito bem que é este o público-alvo da RTP-2 que o canal teima em não servir como deve ser: atento, activo, interessado, fiel. Jorge Campos: o óbvio dispensa o comentário. Eduardo Paulo Rodriguês Ferreira: É um Canal do Estado. O Estado somos nós. Portanto nós exigimos uma programação. E mais, é caso para dizer: Eu pago para ver! João Mário Grilo (em entrevista ao JN): Foi na televisão que aprendi a ver cinema, com programas como "as noites de cinema". A televisão tem um papel muito importante num país onde os cinemas não estão a abrir, mas a fechar. É um direito das pessoas e um dever da televisão. Manuel Mozos (em entrevista): Há actualmente alguma programação de Cinema da RTP2? Inês de Medeiros (em entrevista ao JN): A uma petição que diz 'gostaríamos de mais' não se pode responder com contratos de concessão e tabelas mínimas. Concordo com mais cinema e penso que é importante terem atenção ao pedido, o que não quer dizer que a RTP2 não passe cinema. Paulo Ferrero (em entrevista): QUE HAJA CINEMA, do Mudo ao Digital. Vasco Baptista Marques (em entrevista): diria que a programação de cinema do segundo canal do Estado se destaca, sobretudo, pela sua inexistência. Alice Vieira (em entrevista ao JN): Para mim, cinema é no cinema, mas temos de pensar nas pessoas que estão longe do cinema por várias razões. E muitas vezes vejo-me a ir ao canal Memória para ver filmes e que aguentariam perfeitamente na Dois. A RTP2 deveria insistir mais no cinema e aí estaria a cumprir o seu papel. João Paulo Costa (em entrevista): Adoraria assistir ao regresso de uma rubrica do género "Cinco Noites, Cinco Filmes" que, há uns anos, me fez descobrir realizadores como Bergman ou Truffaut e crescer enquanto apreciador de cinema. Miguel Barata Pereira: Aprendi muito do que sei de cinema a ver a saudosa rubrica "5 noites, 5 filmes". João Milagre (em entrevista): é preciso aprender a amar. JORGE MANUEL DOS SANTOS PEREIRA MARQUÊS: Só neste paraíso político à beira-mar plantado é que se tem de pedir e justificar o óbvio,o justo,os direitos e o razoável... Eduardo Condorcet (em entrevista): Numa altura de crise é difícil compreender que a RTP2 não cumpra a sua função de serviço público, nomeadamente no que toca à produção audiovisual. LUIS PEDRO ROLIM RIBEIRO: JÁ ERA SEM TEMPO Fernando Cabral Martins (em entrevista): [A programação de cinema da RTP2] parece-me errática e é raro dar por ela. António Manuel Valente Lopes Vieira: A televisão é o cinema daqueles que não podem ir ao cinema. Que o cinema volte à televisão. Daniel Sampaio (em entrevista): A programação [de cinema da RTP2] caracteriza-se pela escassez e por não ter uma linha editorial, referente à escolha de filmes. Não se percebem os critérios de escolha. Maria Armanda Fernandes de Carvalho: e que o cinema mostrado seja do mundo e não só o chamado cinema comercial ou dos chamados autores consagrados. Deana Assunção Barroqueiro Pires Ribeiro: Cinema de qualidade é inprescindível em televisão José Perfeito Lopes: Como director do Cine Clube de Viseu, nos anos 73 a 77, vejo com mágoa o que estes senhoritos fizeram ao "canal 2". Manuel António Castro de Sousa Nogueira: Há muito e bom cinema à espera de ser exibido na RTP2, assim queiram os seus responsáveis que este canal seja efectivamente uma alternativa real à pobreza franciscana da programação dos restantes canais generalistas portugueses (incluindo, infelizmente, a RTP1). Marta Sofia Ribeiro de Morais Nunes: Como cresci a poder ter acesso ao melhor do cinema através da RTP2, quero continuar a poder crescer com ele. Maria do Carmo Mendes Carrapato Rosado Fernandes: As pessoas estão a "desaprender" de ver cinema, e isso não é bom...que regressem os ciclos de cinema, que regressem os bons filmes nos anos 30/40/50 do seculo passado, que regresse o cinema americano, japonês, europeu, que regres, se faz favor. Obrigada. Amadeu José Teixeira da Costa: Foi na RTP2 que vi cinema como nunca mais vi na minha vida. TODOS ESTES E OUTROS COMENTÁRIOS DOS NOSSOS SIGNATÁRIOS AQUI

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Carlos Pinto Coelho

Comunicador extraordinário, um dos maiores cultores da língua portuguesa. Conheci-o pessoalmente e tive o prazer de testemunhar as qualidades humanas deste grande jornalista cultural português, que ESTÁ ligado a esta iniciativa, porque sempre combateu a mediocridade e a ignorância. Para nosso choque, Carlos Pinto Coelho faleceu hoje aos 66 anos.

Luís Mendonça

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Jorge Campos assina petição

Jornalista, documentarista, programador cultural e professor, Jorge Campos é uma das figuras mais notáveis do universo do cinema documental nacional. Para além do seu prolífico trabalho enquanto repórter para a RTP, Jorge Campos tem-se destacado no ensino e estudo do cinema na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo (ESMAE) do Instituto Politécnico do Porto. É, habitualmente, júri nos grandes festivais de cinema documental e na atribuição de fundos do ICA. Assina hoje a nossa petição com o seguinte comentário: "o óbvio dispensa o comentário".

sábado, 4 de dezembro de 2010

Comentários dos signatários (VI)

Continuamos a reunir neste nosso blogue alguns dos comentários que os nossos subscritores têm deixado na petição. A qualidade dos mesmos mantém-se elevada. Obrigado a todos por partilharem connosco esta vontade de MUDAR.

Eduardo Paulo Rodriguês Ferreira: É um Canal do Estado. O Estado somos nós. Portanto nós exigimos uma programação. E mais, é caso para dizer: Eu pago para ver!

Teresa Maria Anjos Silva: A programação da RTP 2 tem vindo a perder qualidade progressivamente o que é lamentável. Faço notar, também, a questão dos documentários, uma forma artistica em franca ascenção que estão a ser quase ignorados pela 2 que no horário das 21 horas passa quase sempre e repetidamente trabalhos da NGeographic, quando há um manancial de docs que estão a ser ignorados e pelos quais há um interesse crescente do público.

José Tiago de Sousa Gonçalves Leonor: O verdadeiro serviço público é aquele que assume ter como função a educação cultural do dito...público!!!

isabel rute reis miranda guarda da cruz reinaldo:  relembro as execelentes sessões de cinema comentado de João Benard da Costa e de Lauro António, que muito contribuiram para a minha formação e desnvolvimento do gosto cinematográfico. As gerações actuais tb necessitam desta oportunidade. Obrigado.

Pedro Daniel Nunes Franco Cardoso Graça: Venha de lá esse cinema à RTP 2!! A minha infância e cultura cinematográfica cresceu e beneficiou muito graças as grandes sessões que passavam na antiga RTP2.

joão emanuel mateus mendes: A Rtp sendo estação pública ,tem a obrigação exibir regularmente filmes Nacionais e de países ''alternativos'' aos E.u.A

Luis Miguel Freitas: Já faz muito tempo em que a RTP2 era um canal da minha preferência cinematográfca durante a semana!

Luis Couto Moreira: Um bom filme é uma noite bem passada.

Estamos com 2400 assinaturas. Precisamos de mais para termos VOZ.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O que a RTP2 podia mostrar: Reis e Mozos

António Reis e Manuel Mozos (que apoia a nossa petição), injustiçados por televisões, produtoras e distribuidoras. Tenho pouco orgulho em dizer que vi apenas um filme de cada um, no caso de Reis foi Jaime e no caso de Mozos foi 4 Copas. O primeiro é um assombro de filme, único filme assinado apenas por Reis (os outros são co-assinados pela mulher, Margarida Cordeiro), e o segundo é a alternativa perfeita a Call-Girl's e outras manifestações "populares" de cinema e televisão, em Portugal.

Desconstrua-se o termo popular (a coisa não se finda em pipocas e bilheteira) e encontramos Reis e Mozos. Não há nada de mais popular, ou do povo, do que as suas obras, Trás-os Montes é um retrato "documental" da população do distrito, que, permitam-me acrescentar, foi produzido pela RTP, e 4 Copas é um retrato "ficcional" da juventude, da família, das relações citadinas contemporãneas, em sociedade.

Até há uns dias, Manuel Guimarães era também um destes cinastas esquecidos e negligenciados por injustiças de produção e distribuição. E já que falo disto, não há uma cópia decente do seminal Verdes Anos, de Paulo Rocha, para quando o seu restauro e a sua edição em DVD? É que é um filme importantíssimo para compreender o nosso Cinema, a nossa história, é um crime e um atentado nada se fazer para o difundir, e sim, é coisa que passa também pela televisão, necessariamente.

Destino igual parece estar reservado a Xavier, que se diz ser a obra-prima de Manuel Mozos. Acho triste escrever este post motivado pela ignorância, mas é isso mesmo, a RTP2 podia mostrar Reis e Mozos pela simples razão do seu desconhecimento generalizado, eu quero ver os seus filmes, e como eu, acredito, haverá outros. Façam-nos esse favor.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ricardo "Come Facas" Pereira assina petição

Destacada figura da televisão portuguesa e, também, brasileira, Ricardo Pereira conta com um punhado de participações muito relevantes na história recente do cinema português, entre elas, em "O Milagre Segundo Salomé" de Mário Barroso e, mais recentemente, de forma brilhante, em "Mistérios de Lisboa", na pele do infame "Come Facas". Agora subscreve a nossa petição. Obrigado.

Adriano Luz assina petição

Sem sombra de dúvida, um dos maiores actores do cinema nacional. Adriano Luz tem uma vasta carreira, onde se destacam participações em filmes de João Canijo, João Botelho, João Mário Grilo, José Nascimento e, mais recentemente, na curta-metragem de Cláudia Varejão "Um Dia Frio" e na obra-prima de Ruiz "Mistérios de Lisboa", onde teve, provavelmente, o papel da sua vida. É o nosso subscritor n.º 2284.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Citando a nossa petição, o Inimigo Público sugere o primeiro ciclo para uma RTP2 com Cinema

Com sentido de humor, o Inimigo Público, suplemento de "notícias falsas" do jornal Público, refere estes nossos esforços para aproximar o "governo" da RTP2 dos seus espectadores.

A "notícia" "Estação pública acede ao apelo para o regresso da programação regular de cinema à RTP2 com ciclo de filmes dedicado a José Sócrates" foi publicada no dia 19 de Novembro. Para a ler, basta um clique sobre a imagem abaixo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Nuno Antunes responde às nossas questões: a programação de cinema da RTP2 é "escassa"

Nuno Antunes, redactor da revista de cinema PREMIERE e webmaster do site Cinema2000, que muito nos tem ajudado na promoção desta petição, dá-nos as suas respostas às nossas duas questões. Agradecemos toda a colaboração que tem prestado a esta causa.

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
O grande problema da programação de cinema da RTP-2 é ser escassa: está praticamente confinada aos sábados com a exibição de um filme de animação ao início da tarde e uma sessão dupla à noite. Se para quem gosta de cinema isso seria sempre insuficiente, a situação agrava-se quando constatamos que a orientação na área dos outros canais é errante (constantes repetições, a moda do "filme a definir") e/ou indistinta (uma dieta de sucessos de bilheteira ou de títulos de baixíssima qualidade nas madrugadas).

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Naturalmente que gostava de ver alargados a outros dias da semana o empenho, inclusive cinéfilo, que reconheço existir aos sábados à noite na RTP-2. Essa programação é a primeira que consulto (com semanas de antecedência) e normalmente acabo sempre por preparar a sua gravação. Embora a RTP-2 prefira apostar nas séries, certamente que podia ter mais oferta de cinema, mesmo se a existência de compromissos com outros conteúdos não o permita actualmente antes da 00h30 (ou, quando existe o programa "5 Para a Meia-Noite", antes da 01h30). Aliás, já o fez em 2010 com dois ciclos (entre 29 de Março e 1 de Abril, e 5 a 8 de Abril) e recuperando esse espaço emblemático que foi o "Cinco Noites, Cinco Filmes" a propósito dos 75 Anos da RDP (2 a 6 de Agosto). Souberam a pouco: é minha convicção que a qualidade da oferta cinematográfica dos sábados na RTP-2 e na RTP-Memória demonstra que a RTP continua a ter acesso a uma belíssima "videoteca" que merecia ser mais rentabilizada junto dos seus espectadores.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Falta de critério" e uma programação "consoante o que está ali à mão", apontam dois dos nossos subscritores

Começamos a publicar as respostas que alguns dos nossos subscritores "menos mediáticos" nos deram. Agradecemos a disponibilidade de todos eles para dar expressão própria às nossas reivindicações. Seja o próximo a fazê-lo, respondendo às mesmas duas questões para o endereço peticaortp2@hotmail.com ou deixando as respostas no tópico de discussão no Facebook criado para o efeito.

Maria Fernanda Costa (Facebook)

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2? Que aspectos gostaria de ver mudados?
A actual programação de cinema é lamentável. Não tem uma linha definida, é errática. Dá muito a ideia de ser uma programação conforme e consoante : conforme o que está ali à mão, consoante o apetite...
Portanto, deveria ser uma programação orientada, planificada e acessível. Ou seja, e começando pelo acessível : deveria ser publicitada e emitida a horas mais convenientes, começando por volta das 22,30 / 22,45. Orientada e planificada para que nós - que a pagamos várias vezes- pudessemos também orientar as nossas opções. Da planificação poderei referir a existência de ciclos, temas, realizadores, actores...
E mais atenção às repetições próximas...


Pedro Treno, estudante de arquitectura (Facebook)

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
Para além da falta de critério na escolha dos filmes da Sessão Dupla, existe o facto de serem transmitidos documentários quase todas as noites, facto que, à partida, seria positivo mas que acaba por ser anulado à semelhança da Sessão Dupla- sempre o problema da falta de temática, de critério.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Sendo que o documentário não é mais nem menos que uma longa ou curta metragem (e assim sucessivamente), gostaria que fosse reformulada a programação do espaço "Noites da 2", para que haja um equilíbrio entre os formatos que são projectados. Basta que haja o mínimo de critério na escolha, para que o cinema e os espectadores fiquem a ganhar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

JN dá eco à nossa reivindicação: "Queremos mais cinema"

É um dos artigos mais desenvolvidos que a imprensa nos dedicou. A peça, publicada hoje no Jornal de Notícias, com o título "Queremos mais cinema", inclui palavras do Miguel Domingues - redactor da petição -, Inês de Medeiros, Alice Vieira, João Mário Grilo, Diogo Infante, António-Pedro Vasconcelos e do próprio Jorge Wemans, director de programas da RTP2.

Podem lê-la na íntegra clicando na imagem abaixo ou, parcialmente, através deste link.

NOTA: o Jornal de Notícias vai publicar uma errata, devido à imprecisão presente no último parágrafo desta peça,  no qual é afirmado que a petição já foi enviada à direcção de programas da RTP2, induzindo a ideia de que esta estaria já encerrada, o que é completamente falso: a petição está ainda bem activa e aberta a novas subscrições.


O conteúdo deste artigo é alvo de comentários por parte de Luís Mendonça aqui, Miguel Domingues aqui e Ricardo Lisboa aqui.

domingo, 14 de novembro de 2010

Há actualmente alguma programação de Cinema da RTP2?, pergunta o cineasta Manuel Mozos


Manuel Mozos (subscritor n.º 372), autor de obras como "...Quando Troveja" ou, mais recentemente, "Ruínas", pronuncia-se sobre o estado do cinema na RTP2. Obrigado por ter estado ao nosso lado, desde o início.

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
Há actualmente alguma programação de Cinema da RTP2 ? Eu julgo que não há, mas confesso que já há bastante tempo que não vejo esse canal televisivo.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Demasiados, senão tudo. Seria abusivo explanar o que me parece mal e como gostaria que fosse a RTP2, quando se quer uma resposta sucinta. E assim até penso ter respondido.

Apelamos a todos os demais assinantes que nos enviem as suas respostas, às mesmas questões, para o nosso endereço peticaortp2@hotmail.com .

O que a RTP2 podia mostrar: Melville

Conheci Jean-Pierre Melville através do Canal Hollywood. Lá passou Le Cercle Rouge (1970), magnifico misto de heist movie com filme de perseguição policial. Achei-o estranho, de inicio, pois apesar de tudo transpirar a contemporaneidade do seu tempo, ao mesmo tempo os gangsters vestiam-se como os dos filmes dos anos 40, Alain Delon usava um bigode esquisito e muito se passava à volta de cabarets mais dignos de um noir americano do que dos cafés que víamos na Nouvelle Vague. É assim, o mundo de Jean-Pierre Melville, num cruzamento entre a modernidade do seu tempo (o cineasta pode, ainda que por vias travessas, ser inserido não tanto na Nouvelle Vague francesa, de que pouco se aproxima, mas em todo o movimento de modernização do cinema no pós-guerra, da Europa ao Brasil, passando pelo Japão e pela Índia) e a re-utilização de referências cinematográficas norte-americanas clássicas, num todo intrinsecamente autoral e, em boa verdade, imensamente influente: sem ele não haveria nem toda a tradição do polar (policial francês) nem tão pouco o cinema de John Woo, que nas suas histórias de códigos de honra e de irmãos inimigos encontrou o seu leit motiv.



Porém, cineastas a filmar gangster e códigos de honra há muitos, e poucos atingiram o nível de Melville. Por dois motivos. Primeiro, porque poucos têm o rigor na mise en scene que Melville tinha. Pegando no genial L’Armée des Ombres (1969), que filma uma célula da Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial, vemos uma austeridade que, quiçá com exagero e com a noção das devidas diferenças estéticas, só encontramos em Bresson. Em segundo, porque a Melville interessava o lado litúrgico, ritualizado, codificado, se perdoarem o pleonasmo, que torna os seus filmes quase coreográficos. Não por acaso, uma das melhores sequências da sua carreira é a do assalto em Le Cercle Rouge, do mesmo modo que só esta componente ritualística permite sustentar os primeiros vinte minutos do tremendo Le Samourai (1968), completamente silenciosos. Ver Melville explanar o seu universo é como assistir a um relógio a funcionar por dentro, as rodas e as engranagens encaixando umas nas outras e maravilharmo-nos com o engenho que o permite.



Dvd, só edições estrangeiras, quase sempre caras. Na tv, passou no cabo há uns anos valentes. A escolha que sobra é o download ilegal. A não ser que…

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dois bloggers nacionais pronunciam-se sobre o estado do cinema na RTP2

Alargamos o nosso questionário a outros ilustres cinéfilos que subscreveram a nossa petição. Começamos por dois dos melhores bloggers nacionais. Obrigado a ambos pelas respostas.

Paulo Ferrero (CINE-AUSTRALOPITECUS)

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
Péssima. Da minha parte apenas recomendo o telejornal das 22h que, apesar de encenado de forma um pouco abaixo dos padrões estéticos das estações mais vistas por esse mundo, apresenta um fio condutor mais ou menos consentâneo com a importância e oportunidade das notícias, tem uma página internacional e tem convidados interessantes na maior parte dos casos. Há o Bombordo, que costumo ver, mas que poderia ser melhor. Há as Curtas, cada vez mais esquecidas. O resto é puro deserto. Não há cinema, não há teatro, nem sequer nacional, não há concertos de nomeada, de música clássica ou não clássica, não há séries "incontornáveis", não há nada digno de registo.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
As artes deveriam ser presença constante no horário nobre da RTP2, que é como quem diz pós-22h aos dias úteis. Cinema de todas as proveniências e épocas. penso que o modelo mais inspirado que a TV teve até hoje foi o Cine-Clube. Hoje, ninguém explica nem apresenta um filme, e muito menos são exibidos filmes para além dos blockbusters recentes ou menos recentes, mas tudo nivelado por baixo. O mesmo peças de teatro, inglesas, francesas, americanas, como a RTP exibia há 20 anos. Ballet, concertos - parece impossível mas há anos era possível vermos concertos da Filarmónica de Berlim, actuais ou mais antigos, e peças da Shakespeare Theatre ou do teatro de Milão, ou retrospectivas inteiras de animação, por exemplo. É triste, mas não vejo que as novas tecnologias possibilitem aos mais novos a educação que os mais velhos (onde infelizmente já me incluo) tiveram. Mas enfim, vivemos na era do sensacionalismo e da propaganda. Um choque tecnológio por si só não serve para nada, senão para alienar os mais incautos.
Pela parte que mais me toca, QUE HAJA CINEMA, do Mudo ao Digital.

João Paulo Costa (CinePt)

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
Aquela que existe é insuficiente e extremamente limitada, praticamente reduzida às sessões duplas de sábado à noite (muitas vezes de selecção aparentemente aleatória) e pouco mais.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Adoraria assistir ao regresso de uma rubrica do género "Cinco Noites, Cinco Filmes" que, há uns anos, me fez descobrir realizadores como Bergman ou Truffaut e crescer enquanto apreciador de cinema. Exibições de filmes de preferência interligados de alguma forma, enquadrados historica, autoral ou tematicamente, e de preferência mostrados no seu formato de imagem original. Ou seja, devolver ao espectador o cinema que este dificilmente poderá descobrir de outra forma.

Apelamos a todos os demais assinantes que nos enviem as suas respostas, às mesmas questões, para o nosso endereço peticaortp2@hotmail.com .

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Vasco Baptista Marques: a programação de cinema da RTP2 destaca-se pela "sua inexistência"


Numa semana em que desaparece o mais antigo crítico nacional, temos o prazer de vos apresentar a entrevista que realizámos via mail ao mais jovem crítico nacional, Vasco Baptista Marques. Também do Expresso, como o grande Manuel Cintra Ferreira.

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
Deixando de lado a questão do escasso número de horas dedicado ao cinema pela RTP2, diria que a programação de cinema do segundo canal do Estado se destaca, sobretudo, pela sua inexistência, isto é, pela submissão dos seus conteúdos a critérios meramente casuísticos, nos quais não consigo detectar o mais ténue traço de uma linha de orientação.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Tendo em consideração um passado não muito distante, penso que seria benéfica a reintrodução de ciclos (por cineasta, por tema, por género, etc.), assim como de programas capazes de contextualizar e/ou problematizar os filmes.

Apelamos a todos os demais assinantes que nos enviem as suas respostas, às mesmas questões, para o nosso endereço peticaortp2@hotmail.com .

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Bom, o mau e a RTP2





A propósito da petição pela exibição regular de cinema na RTP2 (que podem assinar aqui e consultar o blog aqui), o organizador, Luís Mendonça do CINEdrio, pediu ao grupo redactor que fizesse um pequeno vídeo amador (eu fiz um em duas partes porque sou preguiçoso e não quis montar as duas partes num) em que dessem a entender o seu ponto de vista de forma mais dinâmica e pessoal (o vídeo do Luís e o vídeo do Miguel Domingues do In a lonely place).

Ricardo Vieira Lisboa

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

João Milagre lança o mote: "é preciso aprender a amar"


Professor do Conservatório e um dos mais conceituados assistentes de realização do cinema português, João Milagre comete a delicadeza de responder às nossas questões. Face às nossas duas perguntas-tipo, afirmou que tinha deixado de ver televisão. Mas nós quisemos saber o que o levou e o que o levaria a ver televisão.

Lembra-se de cineastas, filmes ou rubricas que o marcaram na RTP2 em matéria de cinema?
A minha formação foi extremamente marcada pela programação de cinema na RTP 2, que era na altura, refiro-me aos finais dos anos 80, da responsabilidade do Alberto Seixas Santos, também meu professor na Escola de Cinema do Conservatório Nacional. Essa programação era a continuação das nossas aulas, e não só as do Alberto.

Que tipo de formatos, em matéria de cinema, poderiam fazer com que voltasse a ver televisão com mais regularidade?
Todo o cinema de qualidade, especialmente o de rara exibição, em qualquer dos formatos e géneros. Os ciclos são também de extrema importância na aprendizagem relacional, não só puramente pedagógica mas também de gosto pessoal, porque também é preciso aprender a amar, parafraseando Nietzsche.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Teresa Villaverde assina petição

Grande cineasta portuguesa reconhecida nacional e internacionalmente por filmes como "Os Mutantes" e "Transe". É, neste momento, um dos maiores valores da nossa cultura. A sua subscrição (número 1847) deixa-nos muitíssimo orgulhosos.

Nomeados nos TCN Blog Awards

A petição Pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2 foi nomeada nos TCN Blog Awards, levados a cabo pelo blog Cinema Notebook (http://cinemanotebook.blogspot.com/), da autoria de Knoxville na categoria de Melhor Iniciativa - Blogues Cinema/Tv. Sobre a petição, Knoxville escreve o seguinte:

"Entre o grupo de redactores, vários bloggers conceituados, entre eles Miguel Domingues, Carlos Natálio ou Luís Mendonça. Uma iniciativa que tem ganho respeitável dimensão na opinião pública e que já conta com a assinatura de várias figuras públicas da cultura nacional. Independentemente do seu resultado final, toda a envolvente a esta petição é um exemplo de determinação e competência."

Da nossa parte, um sincero obrigado pelo reconhecimento de que, independentemente de ganharmos ou não, a simples nomeação dá provas.

O que a RTP2 podia mostrar: Stroheim

Diz-se que Stroheim era tão obcecado com o detalhe que um dia foi detido por falsificação de dinheiro que este queria usar como adereço num dos seus filmes. Stroheim queria que o dinheiro no filme fosse o mais parecido possível com o dinheiro na vida real. E, provavelmente, o próprio Stroheim-actor não era muito diferente do Stroheim-realizador: narcísico, prepotente, canalha e um autêntico "destruidor de lares". No díptico escandaloso, no seu tempo e talvez um pouco ainda hoje, "Blind Husbands" e "Foolish Wives" temos o senhor Stroheim, em pose de marechal, a arruinar casamentos perfeitos com o despudor e o cinismo do maior dos canalhas.

Os seus alter-egos variam pouco entre os dois filmes que, no fundo, têm títulos intercomunicantes: até digo que, hoje, "Blind Husbands" é mais sobre "Foolish Wives" que outra coisa, mas o contrário também vinga! O que mais nos espanta hoje é esta espécie de anti-heroísmo metafílmico, ultra-irónico, que vem desafiar as barreiras da moralidade, sobretudo, da moralidade da Hollywood que aí vinha - a dos códigos de decência.

Stroheim foi um dos maiores cineastas do mundo, sempre polémico e, como disse, demencial nos seus simulacros folhetinescos à imagem... da Vida - reproduzi-la em estúdio com fidedignidade, convenhamos, sai muito muito caro. Stroheim dirigiu Gloria Swanson em "Queen Kelly" e afundou-se comercialmente com o monumental "Greed". Depois tornou-se num fantasma do Mudo, que nesta ou naquela obra-prima ("Sunset Boulevard" e "La grande illusion") saiu da escuridão para dar corpo a personagens assombradas.

César Monteiro será, porventura, o maior cultor da truculência irónica e ultrajante do velho Stroheim. Seria interessante dar a pensar o seu cinema no pequeno ecrã de uma qualquer estação pública digna desse nome.


"Foolish Wives" (1922) de Erich von Stroheim

"Recordações da Casa Amarela" (1989) de João César Monteiro

Luís Mendonça

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eduardo Condorcet responde às nossas perguntas: A RTP2 não cumpre a sua função de serviço público

Realizador e Professor de Cinema com currículo impressionante, Eduardo Condorcet foi um dos nossos mais ilustres subscritores a aceitar o desafio de responder às nossas perguntas. Agradecemos a atenção.

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2? Que aspectos gostaria de ver mudados?
Numa altura de crise é difícil compreender que a RTP2 não cumpra a sua função de serviço público, nomeadamente no que toca à produção audiovisual. Naturalmente que poderíamos falar da questão da promoção do cinema, audiovisual (de natureza cultural) e até vídeo-art e cross media, a este nível há que mencionar os exemplos das televisões estatais finlandesa e japonesa que são motores da re-criação do média TV. Em nenhum destes casos a questão das audiências parece ser relevante, até porque ela existe e corresponde. Em todo o caso, a 2 nunca poderá competir com as concorrentes, porquê tentar?

Assim sendo, há definitivamente mais vida para além do deficit e justamente a falta de recursos deveria ser uma motivação para que a televisão de “todos nós” fosse de facto mais entregue à sociedade civil. Penso que o espaço dedicado à produção universitária et al. é positivo, mas não há razão para que o dinheiro gasto com séries estrangeiras não seja investido em produção (de baixo orçamento ou co-financiadas) de origem nacional. Até os liberais Estados Unidos da América, têm a sua PBS. Ademais está provado por programas de produção privada que sinergias podem ser criadas com autarquias, governos civis, etc. de forma a possibilitar não só emprego numa área de grande oferta e procura, mas também de conteúdos audiovisuais de relevância indiscutível não só para a memória histórica do país como para a sua dinâmica de (in)formação.

Apelamos a todos os demais assinantes que nos enviem as suas respostas, às mesmas questões, para o nosso endereço peticaortp2@hotmail.com .

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Paulo Filipe Monteiro assina petição

Paulo Filipe Monteiro é um dos grandes nomes do cinema português, estando a ele associado no seu trabalho enquanto argumentista (ex. de filmes de João Mário Grilo e o último de Fernando Lopes), enquanto actor (aparições em mais de três dezenas de filmes) e enquanto investigador e Professor na área das Ciências da Comunicação, com especial dedicação ao estudo do cinema e do teatro nacionais. Hoje, Paulo Filipe Monteiro torna-se o nosso subscritor n.º 1817. Obrigado.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Fernando Cabral Martins sobre a programação de cinema da RTP2: "parece-me errática e é raro dar por ela"


O Professor e escritor Fernando Cabral Martins, um dos nossos primeiros subscritores, teve a amabilidade de nos endereçar as suas respostas às perguntas que temos colocado a todos os signatários.

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
A actual programação de cinema na RTP2 parece-me errática e é raro dar por ela.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Dentro do óbvio: gostaria de ver apresentada, de uma forma organizada em ciclos, a produção cinematográfica portuguesa e em português passada e presente, tal como escolhas de filmes clássicos mundiais, sempre com acompanhamento de comentários críticos.

Apelamos a todos os demais assinantes que nos enviem as suas respostas, às mesmas questões, para o nosso endereço peticaortp2@hotmail.com .

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Daniel Sampaio sobre a programação de cinema da RTP2: "Não se percebem os critérios de escolha"

O Professor e Psiquiatra Daniel Sampaio (subscritor n.º 1474) foi o primeiro dos nossos mais ilustres subscritores a responder por mail ao nosso questionário. Apelamos a todos os demais assinantes que nos enviem as suas respostas, às mesmas questões, para o nosso endereço peticaortp2@hotmail.com.

Como avalia a actual programação de cinema da RTP2?
A programação caracteriza-se pela escassez e por não ter uma linha editorial, referente à escolha de filmes. Não se percebem os critérios de escolha.

Que aspectos gostaria de ver mudados?
Considero que deveriam existir ciclos (por épocas, ou realizadores, ou temas) com um debate ocasional que enquadrasse os filmes.

Obrigado ao Daniel Sampaio pela sua enorme gentileza.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Contrato de Concessão de Serviço Público (II)

Adicional e complementarmente, transcrevemos de seguida mais algumas passagens do Contrato de Concessão de Serviço Público que estão, a nosso ver, em claro incumprimento ou que nos parecem relevantes para a nossa causa e que em muito espelham as exigências dos nossos subscritores. Os sublinhados a bold são nossos.

Cláusula 10.ª
Segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional

(...)

6. O segundo serviço de programas generalista concede particular relevo ao princípio da inovação, privilegiando a criatividade, o risco e o sentido crítico na sua programação.


Cláusula 16.ª
Obrigações suplementares

A Concessionária fica ainda adstrita ao cumprimento das seguintes obrigações:

(...)

b) Apoiar e promver o cinema português e as demais formas de expressão artísticas nacionais susceptíveis de transmissão televisiva;

(...)

Cláusula 33.ª
Auditoria externa

1. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social promove, de acordo com o disposto na alíena n) do número 4 do artigo 24.º da Lei n.º 53/2005, de 8 de Novembro, a realização e posterior publicação integral de uma auditoria anual à concessionária, e verifica a boa execução do presente contrato de concessão.

(,,,)

3. O relatório da auditoria externa deve analisar o cumprimento dos objectivos de actividade e financeiros definidos no presente Contrato, cabendo à Entidade Reguladora para a Comunicação Social pronunciar-se globalmente sobre o cumprimento da missão de serviço público e emitir as recomendações que entenda necessárias.

(...)

Cláusula 34.ª
Critérios de avaliação do cumprimento da missão de serviço público

1. O controlo do cumprimento do presente contrato tem em conta os seguintes critérios:

a) O cumprimento das obrigações qualitativas minimas a que a 2.ª Outorgante se compromete de acordo com o presente Contrato, nomeadamente nos termos do disposto nas cláusulas 9.ª a 12ª;
b) O cumprimento, nos diferentes serviços de programas e atentas as respectivas missões, das exigências qulitativas do serviço público de televisão, de acordo com factores que considerem o valor acrescentado pela sua programação à oferta audiovisual e a promoção da formação cultural e cívica dos cidadãos, bem como a percepção pelos espectadores da sua capacidade para transmitir informação e conhecimento.

(...)

3. Para além do disposto no número anterior, podem ainda ser tidos em conta:

(...)

c) A opinião dos públicos sobre a qualidade e o valor social da programação disponibilizada pela 2ª Outorgante e respectivos índices de satisfação, apurados designadamente, através de estudos levados a cabo por entidades independentes e de reconhecido mérito;
d) Os comentários, análises e reacções publicadas na comunicação social acerca da programação exigida nos serviços de programas a cargo da 2ª Outorgante;

Cláusula 35.ª
Acompanhamento parlamentar

(...)

2. A Assembleia da República pode, a todo o tempo, convocar os membros do conselho de administração, os responsáveis pela programação e informação dos diversos serviços de programas e os provedores da Concessionária para a prestação de esclarecimentos respeitáveis ao funcionamento do serviço público.

(...)

Parte VI
Disposições Finais

Cláusula 38.ª
 Revisão do contrato

1. O presente Contrato de Concessão produz efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2008, devendo ser revisto, sem preuízo das alterações que entretanto ocorra fazer, no prazo de 4 anos.
2. O processo de revisão deve considerar a avaliação do cumprimento do serviço público e contemplar uma consulta pública sobre os objectivos e critérios de referência para o quadriénio.

(...)

Está visto: em 1 de Janeiro de 2012, o Contrato de Concessão de Serviço Público será revisto. A pergunta que se impõe é o que é que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) nos tem a dizer sobre o cumprimento de todos estes pontos por parte da RTP2. Estamos a proceder a contactos com a ERC e esperamos em breve dar conta dos resultados das suas auditorias aqui. 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Entrevista dada à Rua de Baixo

A Rua de Baixo publicou uma entrevista ao membro do grupo-redactor Luís Mendonça sobre esta nossa causa. Podem lê-la aqui*.

Agradecemos a disponibilidade da dita publicação para debater connosco o actual estado da RTP2 em matéria de cinema.


*Só uma coisa: é "João Mário Grilo" e não "José Mário Grilo".

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Leonor Silveira assina petição

A eterna musa do (eterno?) Manoel de Oliveira, actriz que tem dedicado a sua carreira ao Cinema, tendo sido condecorada por ela com a Comenda da Ordem do Mérito pelo Presidente Jorge Sampaio (1997). Falo, obviamente, de Leonor Silveira, agora, a nossa subscritora n.º 1681. Um grande estímulo para nós.

domingo, 10 de outubro de 2010

O que a RTP2 podia mostrar: Hsien

Hou Hsiao-Hsien é, em França, o paradigma do autor cinematográfico, visto em sala e apreciado, discutido e elogiado. Em Portugal, com apenas dois filmes estreados em sala (Três Tempos e A Viagem do Balão Vermelho, ambos em 2008), com um ou outro filme que passa de quando em vez na Cinemateca e um ciclo já com barbas efectuado na Culturgest, é o paradigma do autor moderno feito na Internet, cada vez mais o local para onde os cinéfilos se exilam. O que nos leva à seguinte questão: no presente actual da exibição cinematográfica televisiva e com os constrangimentos financeiros existentes, não será o cinéfilo forçado a cometer uma ilegalidade para chegar a certas obras? Ou deve este comer e calar, ver apenas o que lhe dão?

Uma coisa é certa: por instituições como a RTP2 não fazerem o seu trabalho, muitos nunca viram maravilhas como esta:




Miguel Domingues

Dalila Rodrigues assina petição

A historiadora de arte Dalila Rodrigues, ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga e da Casa das Histórias Paula Rêgo, é a nossa mais recente subscritora (n.º 1663). Obrigado pelo apoio.

sábado, 9 de outubro de 2010

O que a RTP2 podia mostrar: Godard/Fassbinder/Bergman TV

Se faz confusão aos (falsos) puristas ver cinema na televisão, então que se passe, pelo menos, os bons filmes que grandes realizadores fizeram, de propósito, para serem mostrados no pequeno ecrã - e, já agora, que não se passe mais nada, caso esse (falso) puritanismo seja levado à letra.

O meu colega Miguel Domingues já falou dos filmes "pedagógicos" de Rossellini, recentemente editados pela Eclipse e que, como era da vontade do cineasta, estavam imbuídos de uma missão pura de serviço público - a televisão como meio para educar as massas. Rossellini foi um dos primeiros a ver na televisão uma linguagem complementar ao cinema, com potencialidades próprias e uma margem para o experimentalismo que já não se encontrava no meio fechado e (financeira, burocrática e humanamente) pesado da Sétima Arte. Seguiram-se  semelhantes incursões de grandes realizadores em ousados projectos exclusivamente televisivos (ou cinematograficamente televisivos), entre eles, Godard, Fassbinder e Ingmar Bergman.

Godard assinou, entre outras coisas, uma série reflexiva, quase ontológica, sobre o cinema, "Histoire(s) du Cinéma", que, recentemente editada pela MIDAS, só ganharia, de facto, contornos de "grande acontecimento" se fosse mostrada directamente na TV.

Fassbinder, a quem a RTP2 dedicou há pouco tempo um documentário enlatado - sem qualquer contextualização programática ou preocupação em, de seguida, dar a conhecer a OBRA do cineasta, quase desconhecida da maioria dos portugueses -, realizou vários monumentos para o formato televisivo: à cabeça, "Berlin Alexanderplatz" e "World on a Wire".

O senhor Wemans, que se diz amante de séries, não nos dirá que a relevância histórica ou temática destes objectos é menor que um "Anatomia de Grey" ou "24", séries que a RTP2 passa, pagando balúrdios e fingindo que nos outros canais não estão a passar exactamente esses mesmos "conteúdos" - palavra cara a quem se deixou embrutecer pelo marketering tecnocrata televiseiro.

Por fim, destaco o extensíssimo e profundo trabalho que Ingmar Bergman fez na televisão do seu país. Por preconceito ou ignorância, "Fanny och Alexander" foi durante anos tido como "o último filme de Bergman". Um total e completo disparate se atendermos ao facto de este ter realizado, posteriormente, mais de 10 filmes para a televisão.

O próprio "Saraband" é, para todos os efeitos, um telefilme, que só nos deve alertar para a obra que o mestre sueco andou a desenvolver desde 1982, ano em que o mundo deu como reformado um cineasta que, na realidade, apenas inflectiu (ligeiramente, na nossa opinião) o rumo da sua carreira: do terminal cinematográfico (leia-se, da indústria e da sala do cinema) para o terminal televisivo (mais barato, livre de pressões e tubo de ensaio mais que perfeito das novas tecnologias do vídeo e digital). Vi apenas "Na Presença do Palhaço", obra sobre os últimos momentos na vida de Schubert, que passou na SIC há muitos (demasiados) anos e me marcou pela pujança de uma linguagem produzida pelo encontro feliz do cinema, do teatro, da música... com a televisão.

"À televisão o que é da televisão e ao cinema o que é do cinema"... tem a certeza que ainda quer insistir, anacronicamente, nessa falácia histórico-estética?

Trailer de "Na Presença do Palhaço" (1997) de Ingmar Bergman

Luís Mendonça

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

José Bogalheiro assina petição

José Bogalheiro, produtor de cinema (por exemplo, da obra-prima "O Sangue") e Presidente do Departamento do Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema, subscreve a nossa petição (n.º 1627). Uma honra.

Jorge Paixão da Costa assina petição

Célebre realizador de televisão (por exemplo, das séries "Não és Homem Não és Nada" e "Polícias" ou da telenovela "Roseira Brava") e de cinema ("Adeus Princesa" e "O Mistério da Estrada de Sintra"), Jorge Paixão da Costa é o nosso subscritor número 1587. Obrigado pela confiança depositada nesta nossa causa.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Leonor Xavier assina petição

É a subcrição número 1500 e merece todo o nosso destaque. Leonor Xavier é jornalista e escritora de obras de investigação histórica ou biográfica de relevo, como "Rui Patrício: A Vida Conta-se Inteira" e, sobre o seu companheiro de mais de uma década, "Raul Solnado - A Vida não se Perdeu". Obrigado por nos distinguir com a sua assinatura.

Rogério Samora assina petição

Um dos maiores actores nacionais, que começou por trabalhar sobretudo no teatro, mas que rapidamente se tornou num dos rostos mais emblemáticos do cinema português, Rogério Samora trabalhou com cineastas como Manoel de Oliveira, Werner Shroeter, João Botelho, João Mário Grilo e tem trabalhado regularmente, desde a sua genial interpretação em "Delfim", com Fernando Lopes. Não vemos melhor maneira de celebrarmos o primeiro mês de actividade desta nossa causa do que termos o apoio (subscrição n.º 1511) de um actor com tão imponente currículo.

Comentários dos signatários (V)

Pensamos que não há melhor forma de celebrar os 100 anos da RESpública, que coincide com o primeiro mês de actividade da nossa petição, com mais comentários sábios dos nossos signatários, que, em número, ultrapassaram a barreira das 1500 assinaturas. Um obrigado a todos e, não se esqueçam, divulguem e assinem!

João Miguel Correia Gonçalves Vaz: A RTP não cumpre com a sua missão, o serviço público prestado é muito mau.

Maria Armanda Fernandes de Carvalho: e que o cinema mostrado seja do mundo e não só o chamado cinema comercial ou dos chamados autores consagrados.

Deana Assunção Barroqueiro Pires Ribeiro: Cinema de qualidade é inprescindível em televisão

Isabel Maria Dias Novais Gonçalves: Considero fundamental que a RTP 2 volte a integrar o cinema de qualidade na sua programação, e em horário acessível (antes da meia-noite, por favor!)

Deana Assunção Barroqueiro Pires Ribeiro: Cinema de qualidade é inprescindível em televisão

Paulo António Seco Moreira da Fonseca: Agradeço que os responsáveis pela programação da RTP2 vejam rapidamente esta situação. Obrigado.

Do último grupo de comentários tenho de destacar um pedido que é comum a vários dos signatários: que o cinema volte, sim, mas em horário "decente". A nossa signatária Isabel Gonçalves representa bem este pedido, que aqui fazemos eco.

Muito cá de casa (II): a Notorious necessidade de Cinema na RTP2

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Daniel Sampaio assina petição

Psiquiatra consagrado, com forte intervenção na sociedade portuguesa, colunista do jornal Público, autor de vários livros sobre as relações humanas e, assuntos em que se especializou, o suicídio, a anorexia e outros problemas que afectam, maioritariamente, os mais jovens, Daniel Sampaio é também o rosto de um dos programas mais brilhantes dos bons tempos da RTP2: "Conversas Privadas", mesa-redonda descontraída e interessantíssima partilhada por Daniel Sampaio, Luís Osório e Ana Drago. Aprendi - eu, Luís Mendonça - muito com esta gente. Obrigado ao doutor Daniel Sampaio por constar da nossa lista de signatários (subscrição n.º 1474).

domingo, 3 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Cláudia Varejão também concorda

Cláudia Varejão é uma das mais promissoras realizadoras nacionais. Apesar de uma ainda curta obra, já conta com duas curtas, Fim-de-semana e Dia Frio (e uma curta documental - Falta-me - menção honrosa no Doc de 2005), duas obras que já lhe permitiram concorrer a festivais tão aclamados como Locarno e Roterdão, tendo vencido a competição do CineMed, do festival de Lille e ganho o prémio do Júri no Mediterranean Short Film Festival com a sua última obra. A senhora Varejão é a nossa 1348º assinante.

Tiago Guedes assina petição

Tiago Guedes tem tornado a sua parceria com Frederico Serra e o seu irmão Rodrigo Guedes de Carvalho uma das mais interessantes do cinema português. "Coisa Ruim", "Entre os Dedos" e a recente mini-série "Noite Sangrenta" (ante-estreada ontem no Motelx, festival de terror de Lisboa) são alguns dos projectos de realização de Tiago Guedes. É com grande prazer que noticiamos aqui a sua subscrição (número 1415).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ivo Canelas apoia a nossa causa

Popular e talentoso actor do cinema, teatro e televisão nacionais, Ivo Canelas é o nosso subscritor número 1390. Agradecemos o seu apoio.

Catarina Portas assina petição

Jornalista premiada, que, para além das várias publicações para as quais trabalhou, foi um dos rostos do programa "Onda Curta" da RTP2 ainda na sua fase embrionária, Catarina Portas é hoje uma das mais respeitadas empresárias portuguesas, tendo-se dedicado desde 2004 a revitalizar - ora que verbo tão apropriado para este espaço... - o comércio tradicional português, nomeadamente, com a cadeia Quiosque de Refresco. Hoje assinou a nossa petição (subscrição n.º 1388).

O que a RTP2 podia mostrar: Zurlini

Portugal deverá ser um dos poucos países do mundo a ter no seu mercado de DVD parte substancial da obra do realizador italiano Valerio Zurlini. E quem é Zurlini? Um dos realizadores italianos posteriores à escola do neo-realismo que foi categoricamente ignorado ou mesmo maltratado pela crítica - espantem-se com as escassas estrelitas que um filmaço como "Estate Violenta" leva nos Cahiers du Cinéma, pelos grandes nomes da Nouvelle Vague!

Zurlini foi também incompreendido em Itália, por ser um desalinhado das novas tendências de um cinema nacional dividido, grosso modo, entre o incondicionalismo a um Antonioni versus o incondicionalismo a um Fellini. De qualquer modo, hoje, à distância - é sempre bom ganhá-la sobre tudo o que parece, ou é de facto, "desalinhado" no presente -, a sua obra ganha uma vitalidade como poucas. "A Rapariga da Mala" já é mais do que um filme de culto; é uma crónica franca, como poucas, do devir sexual/existencial de um adolescente e do objecto que o obceca - a linda de morrer Claudia Cardinale. O já citado "Estate Violenta" - anterior - cola-se a este, numa espécie de double bill perfeito, pelo sensualismo das imagens, do corpo feminino contra o masculino - o fervor do desejo com alguma história, e História, em pano de fundo...

Duas obras-primas que não estão sós na sua filmografia - que eu próprio ainda estou a descobrir, com a paciência impaciente de quem deixa para o fim a sobremesa. "Outono Escaldante", com de novo uma mulher divinalmente bela (Sonia Petrovna) e o mais cool dos actores (Alain Delon), é um poema triste sobre a dialéctica do desejo e da morte. Maravilhoso pedaço de cinema, para ouvir e absorver fotograma a fotograma, que carece de maior promoção. Promovê-lo mais seria, a meu ver, um serviço ao cinema, um serviço ao país e aos famintos cinéfilos portugueses em formação.

Ponho o "auteur escondido" Valerio Zurlini a dialogar consigo mesmo aqui:


Excerto de "Estate Violenta" (1959)


Excerto de "La prima notte di quiete"/"Outono Escaldante" (1972)

Luís Mendonça

Going the distance

É só isto que estamos a tentar fazer. Ajudem-nos!

Rui Morisson assina petição

Grande actor do teatro e do cinema português, habitué em obras de Fernando Lopes e João Botelho, Rui Morrison apoia a nossa causa (subsrição número 1284).

Jacinto Lucas Pires assina petição

Escritor distinguido, traduzido em vários línguas, na área da ficção e dramaturgia, também realizador de duas curtas-metragens e autor de argumentos para filmes de Fernando Vendrell e Pedro Caldas e ainda escritor de letras e cantor da banda Os Quais, Jacinto Lucas Pires é o nosso subscritor número 1337. Começamos a sufocar, na nossa terrena medíocridade, com tanto talento nacional a apoiar-nos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Luís Urbano apoia a nossa causa

Luís Urbano, o homem forte da produtora independente O Som e a Fúria, que está por trás de uma nova geração de cineastas promissores, onde se destaca Miguel Gomes, assina a nossa petição (subscrição n.º 1298). Obrigado pelo apoio.

Jorge Silva Melo assina petição

Na Wikipedia - sim, estou a citar a maldita enciclopédia do povão... - lê-se: "cineasta, actor, encenador, dramaturgo, tradutor, ensaísta, crítico de teatro e cinema e cronista português". Silva Melo é tudo isto e mais uma coisa: um dos grandes intelectuais deste país. A sua subscrição, número 1299, deixa-nos orgulhosos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Comentários dos signatários (IV)

Muitos outros comentários mereceriam o nosso destaque neste nosso espaço. Sintetizamos o sentimento geral em duas palavras: “saudade” (ainda) e “urgência”. A par disso, registamos com prazer as seguintes opiniões:

Manuel António Castro de Sousa Nogueira: Há muito e bom cinema à espera de ser exibido na RTP2, assim queiram os seus responsáveis que este canal seja efectivamente uma alternativa real à pobreza franciscana da programação dos restantes canais generalistas portugueses (incluindo, infelizmente, a RTP1).

J. M: Brandão de Brito: Seria bom podermos voltar a ter o cineclube da 2 e as semanas temáticas que se lhe sucederam.

Maria Teresa Mendes da Silva: Cresci a ver cinema na RTP2 e não imagino que pessoa seria eu sem isso! Por favor! É uma missão da televisão pública!

José Perfeito Lopes: Como director do Cine Clube de Viseu, nos anos 73 a 77, vejo com mágoa o que estes senhoritos fizeram ao "canal 2".

António José Matos Silva: Cinema na televisão, sim. Assunto urgente.

LUIS PEDRO ROLIM RIBEIRO: JÁ ERA SEM TEMPO

Caros cidadãos, estamos perto das 1300 assinaturas. Dirão que é bom, em pouco mais de 20 dias, mas não é suficiente para termos o impacto pretendido – todos saberão como é difícil mudar, ou fazer a nossa sociedade civil ser OUVIDA, neste nosso país. Força nessas canetas! (E não se esqueçam: confirmem assinatura nos vossos mails!)

Contrato de Concessão de Serviço Público (I)

Tinha-me comprometido junto do grupo-redactor a esmiuçar o Contrato de Concessão de Serviço Público de Televisão. Tinha-me comprometido, mas não o vou fazer. Por quê? Porque, como diz um dos nossos subscritores, só neste país é que é preciso fundamentar o óbvio. O que é celebrado neste contrato não está a ser minimamente cumprido pelo segundo canal, o que é tão evidente que me vou escusar de fazer quaisquer comentários.

Por respeito à inteligência do leitor, limitar-me-ei a recortar as partes que dizem mais directamente respeito ao conteúdo da nossa petição. Leiam e digam-nos se o que nós estamos a reclamar é ou não é tão-somente o que está previsto na lei, a Fundamental, a da Televisão e, no caso, a que vincula contratualmente a RTP2 ao Estado português. (ATENÇÃO: todos os sublinhados, a bold, são nossos.)

Cláusula 6.ª
Objectivos do serviço público

Para além da sua vinculação aos fins da actividade de televisão a que se refere o artigo 9.º da Lei da Televisão, a Concessionária tem como objectivos específicos:

(...)

b) Promover, com a sua programação, o acesso ao conhecimento e a aquisição de saberes, assim como o fortalecimento do sentido crítico do público;
c) Combater a uniformização da oferta televisiva, através de programação efectivamente diversificada, alternativa, criativa e não determinada por objectivos comerciais;

(...)

Cláusula 7.ª
Obrigações específicas da Concessionária

1. Para além do cumprimento das obrigações dos operadores de televisão, e de acordo com os princípios referidos na cláusula 5.ª, a Concessionária deve apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívica dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento.

2. À Concessionária incumbe, designadamente:

(...)

b) Promover o acesso do público às manifestações culturais portuguesas e garantir a sua cobertura informativa adequada;

(...)

Cláusula 10.ª
Segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional

1. O segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional compreende uma programação de forte componente cultural e formativa, devendo valorizar a educação, a ciência, a investigação, as artes, a inovação, a acção social, a divulgação de causas humanitárias, o desporto amador e o desporto escolar, as confissões religiosas, a produção independente de obras criativas, o cinema português, o ambiente, a defesa do consumidor e o experimentalismo audiovisual.

(...)

13. Tendo em conta o disposto nos números 1, 2 e 5 e nas alíneas b), d), c), g), h) e i) do n.º 2 da Cláusula 7.ª, o segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional deve incluir, no mínimo:

(...)

c) Espaços regulares de divulgação de obras cinematográficas de longa-metragem do moderno cinema português, o que inclui produções dos vinte anos anteriores à transmissão;
d) Espaços regulares dedicados à cinefilia, com uma forte componente pedagógica, que contextualizem as obras difundidas na história do cinema;
e) Espaços regulares dedicados ao cinema europeu e a cinematografias menos representadas no circuito comercial de exibição;
f) Espaços regulares dedicados a curtas-metragens e ao cinema de animação;

(continua)

Luís Mendonça

Nuno Costa Santos defende a nossa causa "urgente"

Escritor das Produções Fictícias, autor de várias obras humorísticas, exemplo de "Melancómico - Aforismos de Pastelaria", ex - colaborador do programa "5 para a Meia-Noite" do segundo canal e actualmente com o programa Melancómico no Canal Q, Nuno Costa Santos é o subscritor número 1270, aquele que, em comentário, deixa um incisivo: "É urgente". Também achamos...

Vera Mantero também assina


VERA MANTERO assinou hoje com extremo interesse a nossa petição. A Vera dispensa qualquer tipo de apresentação na cena da dança contemporânea nacional e internacional. É com enorme orgulho que recebemos o apoio desta talentosa performer para quem o cinema representa também importante fonte de inspiração.

António Ferreira também quer mais e melhor cinema na RTP2

É com enorme orgulho que a nossa petição pelo regresso das exibições regulares de cinema à RTP2 regista o apoio de um dos mais talentosos realizadores nacionais, António Ferreira .
 Nascido em 1970 em Coimbra, António decide, depois de uma breve passagem pela programação informática, estudar cinema. Passou pela Escola Superior de Teatro e Cinema  em Lisboa e a Academia de Cinema de Berlim. Estreou-se na realização com a curta “Respirar (debaixo de Água)” em 2000 com o qual venceu o galardão de melhor realizador no Festival de Vila do Conde. Dois anos depois viria a repetir o sucesso, desta feita com a inteligente comédia “Esquece tudo o que te disse”. Para além de vários outros projectos com a  sua produtora Persona Non Grata Pictures com sede em Coimbra, António Ferreira estreia na próxima sexta “Embargo”, uma comédia a partir da adaptação de um conto homónimo de José Saramago.
Um obrigado pelo seu apoio.

José Luís Peixoto deixa o seu nome na nossa petição

José Luís Peixoto ganhou maior notoriedade desde que recebeu, em 2001, o Prémio Literário José Saramago pelo seu romance "Nenhum Olhar". A sua escrita desdobra-se entre a prosa, a poesia, a dramaturgia e a escrita para música. Hoje deixou o seu nome na nossa petição (subscritor n.º 1257).

Pedro Mexia assina petição

Escritor, crítico, comentador político, ex-sub-director e director interino da Cinemateca Portuguesa e... blogger conhecido, Pedro Mexia é o nosso assinante número 1258.

Carlos Pinto Coelho assina petição

Conhecido e reconhecido comunicador, a cara do magazine cultural da antiga RTP2 Acontece (1994-2003), Carlos Pinto Coelho é o mais recente subscritor da nossa petição (número 1253). Uma honra.

domingo, 26 de setembro de 2010

Mário Jorge Torres assina petição!

Mário Jorge Torres, crítico de cinema do Público e Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, assinou a petição. O docente de História do Cinema, Literatura e Cinema, Análise Fílmica e Literatura Norte-Americana e um dos maiores especialistas nacionais em cinema clássico norte-americano é o subscritor número 1192.

Somos notícia no jornal Público de hoje

Na página nove do jornal Público de hoje, a jornalista Paula Torres de Carvalho assina a notícia intitulada "Quase dois mil pedem mais cinema na RTP2". Passamos a transcrevê-la de seguida.

(clique para ampliar)


Quase dois mil pedem mais cinema na RTP2


Paula Torres de Carvalho


Querem chamar a atenção para a necessidade do regresso da programação regular de cinema à RTP2. Os cinéfilos Luís Mendonça e Miguel Domingues resolveram criar uma petição que circula na Internet desde o início do mês e que conta com quase duas mil assinaturas, entre as quais as da actriz Inês de Medeiros, as dos realizadores João Mário Grilo e Lauro António, a do engenheiro de som Vasco Pimentel, a do professor universitário Manuel Villaverde Cabral e a da escritora Alice Vieira.
Dirigida ao ministro dos Assuntos Parlamentares e aos responsáveis daquele canal televisivo, o texto da petição é um manifesto de defesa da exibição cinematográfica. "Ao longo dos anos, tem-se assistido a um progressivo desinvestimento da estação na programação cinematográfica", o que se verifica "não apenas na pequena quantidade de obras exibidas como na repetição regular dos filmes mostrados", refere o texto.
Bénard da Costa, o divulgador de cinema e director da Cinemateca Portuguesa, falecido em Maio, é recordado por quem promove a petição: "Infelizmente, longe vão os tempos em que João Bénard da Costa introduzia clássicos do cinema ou Inês de Medeiros entrevistava diversas figuras em Filme da Minha Vida."
"Hoje, o segundo canal da estação de televisão pública não fornece quaisquer instrumentos para que o público seja levado a reflectir e a descodificar os objectos mostrados", dizem, denunciando um contexto de "desresponsabilização" que não oferece aos espectadores "oportunidades suficientes de visionamento de filmes" nem lhes prestam "quaisquer ferramentas de aproveitamento dos poucos filmes que ainda vão sendo exibidos". Uma situação considerada grave porque a RTP2 não oferece a "alternativa criteriosa" face aos outros canais. Contactado, Jorge Wemans, director do canal, não quis c omentar as críticas feitas. com B.W.

José Mattoso assina petição

Enfim, isto agora já devia ser assim: quem quererá não assinar uma petição onde consta um nome como o do Professor Doutor José Mattoso na sua lista de signatários (subscritor n.º 1209)? Um dos maiores historiadores nacionais - foi ele que dirigiu os oito volumes da História de Portugal (1993-1995) -, José Mattoso eleva a fasquia desta causa a um nível, perdoe-me a direcção de programas da RTP2, praticamente inatacável.

O que a RTP2 podia mostrar: Rivette

Jacques Rivette é, talvez, o cineasta mais secreto da Nouvelle Vague. No entanto foi um dos seus mais geniais pensadores e cineastas. Como crítico, ajudou a construir a política dos autores, escrevendo duas das maiores cartas de amor cinéfilo e crítico a cineastas, a "Carta sobre Rossellini" e "O Génio de Howard Hawks".

Como cineasta, explorou a relação do Cinema com o tempo, propondo que, para hoje contar uma história, seriam precisos muito mais minutos e película. Ele ilustra esta proposta a cada novo filme, quase qualquer filme seu ultrapassa as duas horas. "Out 1", filme de 1971, dava para preencher um "Cinco Noites, Cinco Filmes", inteiro.

Outra característica cativante do cinema de Jacques Rivette é a sua relação com os actores e com as suas personagens, que herdou do seu cineasta favorito, Howard Hawks. De "Céline et Julie vont en Bateau" a Ne Touchez pas la Hache", os filmes de Rivette transmitem todo o amor que o realizador tem pelos seus personagens e pelos seus actores, a um nível de cumplicidade máximo e de um compromisso enorme ao trabalho, ao filme e à sua rodagem. Ver um filme de Rivette é ver, também, a sua rodagem e foi ele que disse isto, não fui eu...



João Palhares

Pedro Teixeira Neves assina petição

Escritor de várias obras, entre elas, "O Sorriso de Mona Lisa", jornalista de inúmeras publicações e colaborador do programa Câmara Clara da RTP2 e ainda autor do blogue "a qualidade do silêncio", Pedro Teixeira Neves é o nosso subscritor número 1204. Obrigado pelo apoio.

sábado, 25 de setembro de 2010

O que a RTP2 podia mostrar: Ozu e Costa

Como perceber que Pedro Costa seja um fenómeno por todo o mundo, em especial, na Ásia, mais concretamente, no Japão; ainda mais concretamente, junto de cineastas como Nobuhiro Suwa ("M/other"), que, na sua passagem por Portugal, sublinhou que Costa - isto antes da sua exposição na Tate Modern ou da edição de alguns dos seus filmes pela Criterion Collection - era "matéria obrigatória" em qualquer faculdade de cinema quer no Japão, quer noutras partes do mundo - como no Canadá -; como perceber que Pedro Costa seja recebido no Japão como um herói em ano dedicado à celebração do cinema do mestre nipónico Yasujiro Ozu; como perceber isto tudo sem se fazer o contraponto entre a "Trilogia das Fontaínhas" (da Vanda) e a "Trilogia de Noriko" que Ozu realizou entre 1949 e 1953? Por um lado, "Banshun"/"Late Spring", "Tokyo Monogatari"/"Tokyo Story" (1953) e "Bakushû"/"Early Summer" (1951); por outro, "Ossos" (1997), "No Quarto da Vanda" (2000) e "Juventude em Marcha" (2006). Monumentos ao Cinema, monumentos à altura do Homem.

Não estou com isto a dizer que a obra de Pedro Costa não tenha uma força única, que dispensa qualquer legendagem contextualizadora; estou apenas a dizer que se aprecia a sua obra de outra forma tendo presente a genealogia escondida do seu cinema, que nos remete ao cinema do mestre japonês e de tantos outros grandes cineastas (a crítica fala ainda de Chaplin, Rossellini, Ford, Rouch, entre outros nomes fortes da história do cinema). Seria interessante mostrar ao povo português o trabalho que o seu maior cineasta anda a fazer no coração do Cinema, essa pátria que é de todos e que devia ser para todos.

O plano do vaso em "Late Spring" de Yasujiro Ozu, exemplo possível do chamado "pillow shot" (plano almofada), que pode ser definido, nas palavras Mark Cousins (Biografia do Filme), como todas as imagens de filmes de Ozu, "que nada têm a ver com a acção e funcionam como pausas para o espectador reflectir"


Luís Mendonça

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Eduardo Cintra Torres escreve sobre a nossa petição

O nosso subscritor Eduardo Cintra Torres publica, hoje, no seu espaço Olho Vivo do jornal Público um artigo intitulado "O obscurantismo iluminado da RTP2" (página 12 do suplemento P2). A nossa petição é o motivo central.

Poderão lê-lo aqui, caso tenham acesso ao Público online, ou então neste post, onde o transcrevemos ipsis verbis.


Assinei com simpatia, mas sem esperança, uma petição pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP2, subscrita por mais de mil cidadãos, que lembra o papel passado do canal do Estado na aprendizagem pelas novas gerações da linguagem cinematográfica, quando havia selecção criteriosa de filmes, entrevistas, debates ou apresentações por especialistas.
Os jorvens autores da petição não puderam conhecer o Museu de Cinema, com António Lopes Ribeiro, nos anos 60-70. Num programa simples e eficaz, o realizador apresentava ao estilo da época, narrava e comentava um filme mudo, enquanto o pianista António Melo acompanhava ao vivo, como nas salas de cinema antes do sonoro. Foi com Lopes Ribeiro que vi obras fundamentais. Recordo os cómicos (Chaplin, Max Linder, Buster Keaton, Harold Lloyd), epopeias (The Big Parade de King Vidor) e outras obras-primas (Greed de von Stroheim, The Wind, de Sjostrom),
Apesar de uma sessão mensal de filmes mudos no ARTE, o cinema mudo é hoje, para os programadores, uma aberração, por ser a TV um media sonoro e palavroso. Os audiovisuais desabituaram-nos do silêncio. Seria preciso pessoas cultas e corajosas num canal público para programar clássicos mudos, mas nem precisamos de ir por aí. A RTP2 também escorraçou os clássicos sonoros.Deve ter sido há uns vinte anos que passou ciclos de realizadores como Lubitsch ou Cukor, alimentando a literacia cinematográfica do espectador.
Hoje, como refere a petição, a RTP2 não cumpe a Lei da Televisão nesta matéria, passa filmes sem sentido e repete os poucos que passa. A petição poderia mencionar que o cinema contemporâneo português, em especial o cinema independente e documental, entrou em 2009 em ruptura com a direcção da RTP2 e a RTP em geral.
Os "critérios" das direcções da RTP2 e RTP1 são comerciais e financeiros. Procuram obter o máximo de audiência com o mínimo de serviço público. Os filmes na RTP2 são o rebotalho de pacotes comprados às grandes companhias americanas com milhões dos nossos euros. Para mostrar na RTP1 o Homem Aranha ou Harry Potter, a RTP tem de lhes comprar muito lixo, que atira para as madrugadas e para a RTP2. Acresce que o maior investimento da RTP2 vai para coisas como o Câmara Clara, caríssimo para o pouco que é, um palco para a subdirectora do canal.
Outras áreas da RTP2 revelam incapacidade estrutural de programar um serviço público. Em vez de documentários, apresenta enlatados de entretém de animais e seus tratadores e repete-os uma meia dúzia de vezes no horário nobre. Apresenta séries americanas banais. Exagera na quantidade de programas infantis estrangeiros (oito a 10 horas por dia), desvirtuando o perfil generalista que a lei define.O noticiário das 22h00 está domesticado. Etc. Isto não vai lá com petições.